Você digita "médico para impotência" e a busca devolve andrologista, urologista, endocrinologista, sexólogo. Cada site parece puxar para um lado. Na hora de marcar, a dúvida sobre qual escolher vira mais uma razão para deixar para o mês que vem.
Andrologista é o nome usado para o médico que cuida da saúde sexual e reprodutiva do homem. Mas andrologia não consta como especialidade nem como área de atuação na relação oficial do CFM. Esses temas são atendidos pelo urologista, e questões hormonais podem envolver também o endocrinologista.
O que é andrologia?
No uso comum, andrologia é o campo que olha para a saúde sexual e reprodutiva masculina: ereção, ejaculação, fertilidade, hormônios. A palavra aparece em cartão de consultório, em perfil de rede social e em título de palestra. O que ela não é, no Brasil, é uma especialidade médica com título próprio.
Fomos ao documento. Quem define as especialidades e áreas de atuação reconhecidas é a Comissão Mista de Especialidades, formada pelo Conselho Federal de Medicina, pela Associação Médica Brasileira e pela Comissão Nacional de Residência Médica. A relação em vigor foi homologada pela Resolução CFM 2.380/2024, publicada no Diário Oficial da União em 24 de junho de 2024. Ela traz 55 especialidades e 62 áreas de atuação. Andrologia não está em nenhuma das duas listas.
Andrologista ou urologista: qual a diferença?
Oficialmente, o título é o de urologista. Na definição publicada no Portal da Urologia, da Sociedade Brasileira de Urologia, "urologista é o especialista que trata as doenças do aparelho urinário masculino e feminino, assim como as doenças do aparelho reprodutor masculino". Ereção, ejaculação e fertilidade estão dentro desse território.
Pela Resolução CFM 2.380/2024, o título de especialista em urologia vem de residência médica em urologia, com três anos de formação, ou de concurso da Associação Médica Brasileira com a Sociedade Brasileira de Urologia.
Então, quando alguém se apresenta como andrologista, vale perguntar qual especialidade esse médico tem registrada no conselho. Para ereção e ejaculação, o caminho passa pela urologia. Para entender como isso funciona a distância, veja urologista online: o que cabe numa consulta por vídeo.
Se a dúvida é sobre uma queixa específica, as páginas de disfunção erétil e de ejaculação precoce explicam o que costuma entrar na avaliação.
Quando o endocrinologista entra?
Endocrinologia e metabologia é uma especialidade própria na lista do CFM. Ela aparece nesta conversa quando o problema pode ser hormonal, como a deficiência de testosterona.
Nesse tema, as duas especialidades trabalham juntas. Em 2026, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) publicaram, com a Associação Brasileira de Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), um posicionamento conjunto sobre o cuidado do homem com hipogonadismo, nome médico da deficiência de testosterona. Dependendo do caso, quem acompanha pode ser um urologista ou um endocrinologista.
Se a sua dúvida é sobre reposição de testosterona, a página de reposição hormonal explica o que é e para quem é indicada.
Existe especialista em impotência?
Não com esse nome. Nenhuma especialidade ou área de atuação da lista oficial se chama assim. A disfunção erétil, nome médico da impotência, entra na área do urologista, porque envolve o aparelho reprodutor masculino.
A lista traz uma área de atuação que costuma confundir: sexologia. Pela Resolução CFM 2.380/2024, ela é obtida por médicos com residência em ginecologia e obstetrícia ou em psiquiatria. Quem busca "médico para assunto íntimo masculino" pode esbarrar nesse título também. Ele existe, mas tem outra origem de formação.
Muitas vezes o que trava a busca não é saber o nome do especialista, e sim ter coragem de marcar. Se for o seu caso, vergonha de falar de assunto íntimo com o médico pode ajudar.
Por onde começar, na prática?
Pense na queixa, e não no título. Alguns cenários comuns ajudam a organizar a escolha:
- A ereção falha ou a ejaculação vem cedo demais. É território do urologista, que pode investigar a causa e pedir exames quando fizer sentido.
- Você e sua parceria tentam ter filhos há um tempo. A fertilidade masculina também faz parte do aparelho reprodutor, que está na área da urologia.
- Já existe uma suspeita hormonal, com exame alterado na mão. Urologista e endocrinologista podem conduzir essa investigação. O endocrinologista tem título próprio, obtido por residência em endocrinologia e metabologia, com dois anos de formação, ou por concurso da AMB com a SBEM.
- A ansiedade parece pesar tanto quanto o corpo. A lista do CFM tem a psiquiatria como especialidade e a psicoterapia como área de atuação obtida a partir dela. O profissional que avalia você pode sugerir esse apoio junto com o restante do cuidado.
Esses caminhos se cruzam. Pode acontecer de você começar com um especialista e, conforme a investigação avança, ele mesmo indicar outro para somar ao cuidado.
Como conferir o título de quem vai atender você?
A Resolução CFM 2.336/2023, que regula a publicidade médica, dá o mapa. Toda peça de divulgação precisa trazer nome, número de registro no CRM e, quando houver, a especialidade ou área de atuação registrada, seguida do número de Registro de Qualificação de Especialista (RQE). A norma considera especialista quem apresenta RQE.
- Nome e CRM Todo médico precisa informar o registro no conselho do estado onde atua.
- Especialidade com RQE O título de especialista vem sempre acompanhado desse número.
- Pós-graduação Curso sem título de especialista deve vir com a expressão "NÃO ESPECIALISTA".
- Consulta ao conselho Os dados do médico podem ser conferidos no site do CFM ou do conselho regional.
A mesma resolução proíbe o médico que não é especialista de divulgar que trata sistemas orgânicos, órgãos ou doenças específicas, porque isso confunde o paciente com a divulgação de especialidades. Um perfil que promete "especialista em ereção" sem mostrar RQE merece uma segunda olhada.
Ao avaliar um serviço online, os mesmos critérios valem. Reunimos outros em como escolher um atendimento de saúde masculina online.
Na Uromen
Você pode começar pela avaliação online, que organiza sua história no seu ritmo, ou agendar uma consulta. O profissional que conduz o atendimento avalia o seu caso e, quando necessário, orienta um encaminhamento ou outro formato de acompanhamento. A indicação de exame ou tratamento é sempre dele. Outras respostas estão em dúvidas frequentes.
Este texto é informativo e não substitui avaliação médica individual.
Perguntas frequentes
O que faz um andrologista?
O termo é usado para falar do médico que cuida da saúde sexual e reprodutiva do homem, como ereção, ejaculação e fertilidade. Andrologia, porém, não aparece como especialidade nem como área de atuação na relação oficial do CFM. Esses temas fazem parte da urologia.
Andrologista ou urologista: qual procurar?
O título reconhecido é o de urologista, especialista que trata as doenças do aparelho urinário e do aparelho reprodutor masculino, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia. Quem se apresenta como especialista precisa informar a especialidade registrada no CRM com o número de RQE.
Andrologia é especialidade médica no Brasil?
Não. A Resolução CFM 2.380/2024 lista 55 especialidades e 62 áreas de atuação reconhecidas, e andrologia não está em nenhuma das duas listas.
Qual médico trata impotência?
A disfunção erétil entra na área do urologista, que trata as doenças do aparelho reprodutor masculino. Quando há suspeita de deficiência hormonal, o endocrinologista também pode participar do cuidado.
Fontes
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.380, de 18 de junho de 2024. Homologa a Portaria CME nº 1/2024, que atualiza a relação de especialidades e áreas de atuação médicas. Diário Oficial da União, 24 jun. 2024, Seção 1:145
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.336, de 13 de julho de 2023. Dispõe sobre publicidade e propaganda médicas. Diário Oficial da União, 13 set. 2023, Seção 1:312
- Monnerat R. Diferenças entre urologista, nefrologista e proctologista. Portal da Urologia, Sociedade Brasileira de Urologia, 2018
- Hohl A, Lopes L, Ronsoni MF et al. Care of patients with male hypogonadism: a joint position statement from the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM), the Brazilian Society of Urology (SBU), and the Brazilian Association for Sexual Medicine and Health (ABEMSS). Int Braz J Urol, 2026 (PubMed 41678706)



