O último exame de sangue foi o da admissão no emprego, seis anos atrás. De lá para cá, a pressão só foi medida na farmácia, num sábado de gripe, e ninguém lembra o número. Se isso parece com a sua história, você não está sozinho, e dá para organizar o check-up sem transformar a vida numa sala de espera.
Não existe um pacote único de exames para todo homem. As diretrizes brasileiras apontam três pontos de partida: medir a pressão pelo menos uma vez por ano, rastrear diabetes a partir dos 35 anos (ou antes, conforme o risco) e, a partir dos 45 ou 50, conversar com o médico sobre a próstata. A frequência de cada exame é definida por ele.
Por que o check-up do homem costuma atrasar?
Os números do Ministério da Saúde explicam por que vale a pena não adiar. Os homens ainda vivem 7,1 anos a menos que as mulheres, e o risco de morrer por doenças crônicas não transmissíveis, principalmente cardiovasculares e respiratórias, é de 40% a 50% maior entre eles. O ministério lembra que esse risco sobe com uso prejudicial de álcool, alimentação e estilo de vida pouco saudáveis, pressão alta e excesso de peso.
Foi para isso que o país criou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. Um dos eixos dela é o acesso: fazer os serviços de saúde serem vistos também como espaços masculinos. Outro trata das doenças mais comuns entre homens e reforça a atenção primária, o posto de saúde ou o médico de referência, como porta de entrada.
Se você reconhece a tendência de empurrar a consulta, por que tantos homens adiam cuidar da saúde ajuda a entender o padrão.
Quais exames de rotina o homem deve fazer por idade?
As faixas abaixo resumem o que as diretrizes brasileiras dizem para homens sem sintomas. Use como roteiro para a conversa com o médico.
- De 20 a 39 anos Pressão medida pelo menos uma vez por ano. Rastreamento de diabetes antes dos 35 se houver obesidade e outros fatores de risco.
- De 40 a 49 anos Pressão anual e rastreamento de diabetes, indicado a partir dos 35. Aos 45, homens negros ou com parente de primeiro grau com câncer de próstata podem começar a conversa sobre a próstata.
- A partir dos 50 anos Pressão e glicemia seguem na rotina. Pela SBU, a próstata entra na conversa para todos, com avaliação individual e decisão compartilhada.
A frequência de cada exame, e se ele deve ser feito, é decisão do médico. Ele considera sua idade, o histórico da família, seus hábitos e os resultados anteriores. Dois homens de 45 anos podem sair da consulta com pedidos bem diferentes, e os dois podem estar certos.
Pressão alta: de quanto em quanto tempo medir?
A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia com outras sociedades, diz que, idealmente, todas as pessoas devem ter a pressão medida pelo menos uma vez por ano. A recomendação vale em especial para quem tem história familiar de hipertensão, para os mais velhos e para quem tem diabetes, obesidade ou doença cardiovascular ou renal.
Um número isolado não fecha diagnóstico. A diretriz define hipertensão como pressão igual ou acima de 14 por 9 (140/90 mmHg), medida com a técnica correta em pelo menos duas ocasiões. E mudou uma coisa que muita gente ainda não sabe: pressão sistólica de 120 a 139 mmHg e/ou diastólica de 80 a 89 mmHg passou a ser chamada de pré-hipertensão. Parte dessa faixa, de 120 a 129 por 80 a 84, era considerada normal na diretriz anterior, de 2020. A diretriz também pede que o valor seja informado por escrito e com precisão, algo como 134/76 mmHg, e não apenas "13 por 7".
A medida da farmácia vale como sinal. Se ela vier alta, marque uma consulta para confirmar o valor com a técnica certa.
Glicemia: a partir de quando rastrear diabetes?
O posicionamento da Sociedade Brasileira de Diabetes, atualizado em 2025, recomenda rastrear diabetes tipo 2 em adultos a partir dos 35 anos, ou antes em quem tem obesidade e outros fatores de risco. Os exames iniciais são a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada. O teste oral de tolerância à glicose fica para pessoas de alto risco com os outros exames normais, ou com pré-diabetes.
O posicionamento também traz um roteiro de intervalos para repetir os exames. É o médico quem aplica esse roteiro ao seu caso. Diabetes também mexe com a ereção, e isso está explicado em disfunção erétil e diabetes.
Exame de próstata: rastrear ou não?
Aqui as instituições brasileiras enfatizam pontos diferentes, e vale conhecer os dois lados.
O Ministério da Saúde, em nota técnica publicada pelo INCA em 2023, não recomenda o rastreamento populacional do câncer de próstata, isto é, chamar todos os homens sem sintomas para fazer PSA e toque retal. A nota cita revisões sistemáticas segundo as quais o rastreamento aumenta o diagnóstico sem reduzir de forma significativa a mortalidade pela doença, e com danos importantes. Um grande estudo europeu mostrou redução da mortalidade após 16 anos, mas com muito sobrediagnóstico, que é encontrar um câncer que nunca causaria problema. O tratamento desses casos pode trazer disfunção sexual e urinária, e a investigação pode levar a biópsia, com risco de dor, sangramento e infecção.
Para o homem que pede o exame, a orientação do ministério é uma conversa ampla sobre riscos e benefícios, com decisão compartilhada.
A Sociedade Brasileira de Urologia, em nota oficial de 2018, orienta que homens a partir dos 50 anos procurem um especialista para avaliação individual. Homens negros ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45. A SBU também fala em decisão compartilhada, após ampla discussão de riscos e benefícios, e diz que depois dos 75 anos o rastreamento só deve ser feito em quem tem expectativa de vida acima de 10 anos.
As duas posições concordam num ponto: a decisão é sua, junto com o médico, com informação na mesa. Leve a pergunta pronta para a consulta.
Sintomas não esperam o check-up. Dificuldade para urinar, jato fraco, vontade de urinar muitas vezes durante o dia ou à noite e sangue na urina pedem investigação, segundo o Ministério da Saúde. Procure avaliação sem esperar a data da rotina. Em emergência, ligue 192.
Saúde sexual também entra no check-up?
Entra. A saúde sexual e reprodutiva é um dos eixos da política de saúde do homem do Ministério da Saúde, que propõe abordar a sexualidade masculina nos campos psicológico, biológico e social. Uma mudança na ereção ou no desejo é assunto para a mesma consulta em que se fala de pressão e glicemia. A página sobre disfunção erétil explica o que ela pode ter a ver com o resto do corpo, e disfunção erétil aos 40 fala dessa fase em particular.
Como chegar preparado
Separe os exames antigos, mesmo os de seis anos atrás, e anote os remédios que você usa. Pergunte à família se alguém teve pressão alta, diabetes ou câncer de próstata, e com que idade. Esses detalhes mudam o que o médico pede. O passo a passo está em como organizar seus exames.
Na Uromen
Você pode começar pela avaliação online, que organiza sua história no seu ritmo, ou agendar uma consulta para conversar sobre o que faz sentido no seu caso. Quais exames pedir, e com que frequência, é decisão do profissional que conduz o atendimento. Outras respostas estão em dúvidas frequentes.
Este texto é informativo e não substitui avaliação médica individual.
Perguntas frequentes
Quais exames o homem deve fazer depois dos 40?
Não existe pacote único. As diretrizes brasileiras indicam medir a pressão pelo menos uma vez por ano e rastrear diabetes a partir dos 35 anos. A partir dos 45, homens negros ou com parente de primeiro grau com câncer de próstata podem começar a conversa sobre a próstata com o médico, segundo a SBU.
Com que idade começar o exame de próstata?
O Ministério da Saúde não recomenda rastreamento populacional e orienta decisão compartilhada com quem pede o exame. A Sociedade Brasileira de Urologia orienta avaliação individual a partir dos 50 anos, ou dos 45 para homens negros ou com parente de primeiro grau com a doença.
De quanto em quanto tempo medir a pressão?
A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 diz que, idealmente, todas as pessoas devem ter a pressão medida pelo menos uma vez por ano, em especial quem tem história familiar de hipertensão, diabetes, obesidade ou outras doenças.
A partir de que idade fazer exame de glicemia?
A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda rastrear diabetes tipo 2 em adultos a partir dos 35 anos, ou antes em quem tem obesidade e outros fatores de risco. Glicemia de jejum e hemoglobina glicada são os exames iniciais.
Quem define a frequência dos exames?
O médico que acompanha você. Ele considera idade, histórico familiar, hábitos e resultados anteriores para decidir o que pedir e quando repetir.
Fontes
- Ministério da Saúde. Saúde do Homem (Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem). gov.br
- Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 9/2023-COSAH/CGACI/DGCI/SAPS/MS. Recomendação pelo não rastreamento populacional do câncer de próstata. INCA, 2023
- Sociedade Brasileira de Urologia. Nota oficial 2018: rastreamento do câncer de próstata. Portal da Urologia, 2018
- Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025. Arq Bras Cardiol, 2025 (PubMed 41294179)
- Rodacki M, Zajdenverg L, da Silva Júnior WS et al. Brazilian guideline for screening and diagnosis of type 2 diabetes: a position statement from the Brazilian Diabetes Society. Diabetol Metab Syndr, 2025 (PubMed 40038723)



