Na consulta do diabetes, o médico pergunta da glicemia, dos pés, dos olhos, da pressão. Da ereção, quase nunca. E você também não puxa o assunto, mesmo que ela venha falhando há meses.

O diabetes aumenta a chance de disfunção erétil porque, com o tempo, a glicose alta danifica os vasos e os nervos que a ereção usa, e ainda pode baixar a testosterona. Uma meta-análise encontrou o problema em mais da metade dos homens com diabetes. Manter a glicemia controlada ajuda a proteger a função, e existem opções de tratamento.

Quantos homens com diabetes têm disfunção erétil?

Muitos. Uma meta-análise de 2017 reuniu 145 estudos e cerca de 88 mil homens com diabetes. A disfunção erétil apareceu em 52,5% deles, em 37,5% dos homens com diabetes tipo 1 e em 66,3% dos homens com tipo 2. Comparados a homens saudáveis, os que tinham diabetes tiveram chance cerca de três vezes e meia maior de apresentar o problema.

Os números variam bastante entre pesquisas. Uma revisão no Journal of Sexual Medicine encontrou taxas de 35% a 90%, diferença explicada em parte pelos métodos e pelas populações estudadas. A mesma revisão lista o que pesa mais: idade, tempo de diabetes, controle ruim da glicemia, pressão alta, colesterol alto, sedentarismo, cigarro e a presença de outras complicações do diabetes.

O que acontece nos vasos?

A ereção depende de os vasos do pênis se dilatarem para o sangue entrar e ficar retido. A glicose alta atrapalha esse processo por vários caminhos ao mesmo tempo. Uma revisão sobre o tema descreve o acúmulo de produtos de glicação avançada, que se formam quando o açúcar se liga a proteínas, o aumento de radicais livres, a produção prejudicada de óxido nítrico, um sinal químico importante para a ereção, e mudanças em vias que mantêm os vasos contraídos.

A diretriz europeia de urologia coloca o diabetes entre as causas vasculares da disfunção erétil, ao lado de pressão alta, colesterol e cigarro. Como esses fatores costumam andar juntos, cuidar de um ajuda a cuidar dos outros.

O que acontece nos nervos?

A mesma diretriz também coloca o diabetes entre as causas neurológicas. A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes classifica, entre as neuropatias autonômicas do diabetes, a forma urogenital, que atinge os nervos que controlam funções automáticas do corpo, como a ereção. No estudo com homens com diabetes tipo 1 citado mais abaixo, a neuropatia periférica apareceu entre os fatores de risco para a disfunção erétil.

Aqui mora o ponto mais delicado. A diretriz brasileira afirma que, no diabetes tipo 1, o controle intensivo da glicemia previne e retarda a neuropatia, mas não reverte a perda de nervos já instalada.

E a testosterona?

Ela entra na conta com frequência. Segundo a diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, há hipogonadismo, que é a produção insuficiente de testosterona, em cerca de 25% a 40% dos homens com diabetes tipo 2, chegando a 50% quando há obesidade. Resistência à insulina e excesso de gordura estão entre os mecanismos.

Por isso a mesma diretriz sugere avaliar a testosterona em homens com disfunção erétil e recomenda a todos os homens com diabetes, síndrome metabólica ou obesidade mudanças de estilo de vida voltadas para perda de peso e controle metabólico. Em homens com obesidade, a perda de peso eleva a testosterona total de forma proporcional ao peso perdido. Reposição hormonal é outra conversa, reservada a quem tem deficiência comprovada.

A cabeça também pesa

Conviver com uma doença crônica cansa, e a ereção que falha vira mais uma preocupação. A revisão do Journal of Sexual Medicine recomenda aconselhamento psicossexual e de relacionamento quando esses problemas coexistem, e lembra que ejaculação precoce e desejo baixo aparecem com frequência junto da disfunção erétil no diabetes. Se o medo de falhar ganhou espaço, leia ansiedade e disfunção erétil.

Controlar a glicemia melhora a ereção?

O dado mais sólido vem do DCCT, um grande ensaio clínico com homens com diabetes tipo 1 acompanhados por anos. Entre os que já tinham sinais iniciais de complicações no começo do estudo, quem fez controle intensivo da glicemia teve menos disfunção erétil cerca de dez anos depois: 12,8% contra 30,8% no grupo de controle convencional. No grupo sem complicações no início, a diferença não foi significativa. Nos dois grupos, hemoglobina glicada mais alta ao longo do tempo se associou a maior risco.

No diabetes tipo 2, estudos transversais também associam controle ruim da glicemia à disfunção erétil, e a revisão do Journal of Sexual Medicine considera o controle glicêmico otimizado essencial para todos. A diretriz europeia vai na mesma direção: diabetes e pressão alta devem estar bem controlados como primeiro passo de qualquer tratamento para disfunção erétil.

Os autores do DCCT concluem que os dados apoiam começar cedo o controle intensivo em homens jovens com diabetes tipo 1.

A disfunção erétil do diabetes tem cura?

Depende da causa, de quanto tempo o problema existe e de quanto dano já há nos vasos e nos nervos. A revisão do Journal of Sexual Medicine descreve a disfunção erétil no diabetes como mais grave e mais resistente ao tratamento do que em homens sem diabetes. Ainda assim, há várias opções.

Os medicamentos orais da classe dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5, como sildenafila e tadalafila, costumam ser a primeira linha. Eles exigem prescrição e avaliação médica, têm contraindicações e interações, e a dose e a escolha são decisão do médico. Quando o comprimido não funciona ou não é indicado, existem medicamentos aplicados no pênis, dispositivos a vácuo e prótese peniana. Veja o mapa das opções de tratamento.

Como fica o acompanhamento?

  • Leve o assunto para a consulta. Endocrinologista, clínico e urologista podem conversar entre si. Se falar disso trava, comece por como puxar um assunto íntimo com o médico.
  • Cuide do coração junto. A diretriz europeia observa que a disfunção erétil ajuda a rastrear doença cardiovascular silenciosa em homens com ou sem diabetes.
  • Mantenha os exames em dia. Hemoglobina glicada, colesterol e, quando indicado, testosterona. Entenda quais exames entram na investigação da disfunção erétil.
  • Movimente-se. A diretriz europeia registra que atividade física, sobretudo aeróbica, e perda de peso podem melhorar a função sexual.

A visão geral da condição está na página de disfunção erétil.

Na Uromen

Você pode começar pela avaliação online, contando sua história e o tratamento do diabetes no seu ritmo, e depois agendar uma consulta por vídeo. O profissional que conduz a consulta avalia o conjunto, pede exames quando necessário e indica o tratamento adequado, em diálogo com quem já acompanha o seu diabetes. Outras respostas estão em dúvidas frequentes.

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica individual.

Perguntas frequentes

Diabetes causa disfunção erétil?

Pode causar. Com o tempo, a glicose alta afeta os vasos, os nervos e os hormônios que participam da ereção. Uma meta-análise com 145 estudos encontrou disfunção erétil em mais da metade dos homens com diabetes.

A disfunção erétil do diabetes tem cura?

Depende da causa e de quanto dano já existe. Há tratamentos, e controlar glicemia, pressão e colesterol ajuda a proteger a função, mas a lesão de nervos já estabelecida nem sempre se reverte. O médico avalia cada caso.

Controlar a glicemia melhora a ereção?

Pode ajudar a proteger. Num grande estudo com homens com diabetes tipo 1, o controle intensivo reduziu a disfunção erétil anos depois em um dos grupos avaliados, e hemoglobina glicada mais alta se associou a maior risco.

Homem com diabetes pode usar remédio para ereção?

Muitos podem, mas só com prescrição e avaliação médica, porque esses medicamentos têm contraindicações e interações. A resposta costuma ser mais difícil no diabetes, e há outras opções quando o comprimido não funciona.

Quem tem diabetes e disfunção erétil deve medir a testosterona?

A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes sugere avaliar a testosterona em homens com disfunção erétil, e a testosterona baixa é frequente no diabetes tipo 2. O pedido e a interpretação do exame cabem ao médico.

Fontes