Muita gente chega à primeira consulta imaginando que vai sair com uma lista enorme de pedidos, ou com medo de algum exame invasivo. Na maioria das vezes, a investigação é bem mais simples do que parece e começa com perguntas.
Os exames para disfunção erétil partem da conversa e do exame físico. As diretrizes europeia e americana costumam incluir glicemia ou hemoglobina glicada, perfil lipídico e testosterona total pela manhã, se não houver resultados recentes. PSA, prolactina, tireoide ou ultrassom com Doppler entram só quando a história e o exame apontam para isso.
Por que a investigação começa pela conversa?
Porque é ali que aparece a maior parte das respostas. A diretriz europeia diz que o primeiro passo é sempre uma história clínica e sexual detalhada, com a parceria quando possível. O médico pergunta sobre a firmeza e a duração das ereções com estímulo e ao acordar, e sobre desejo, excitação, ejaculação e orgasmo. Questionários validados, como o IIEF ou sua versão curta, ajudam a medir a gravidade.
A diretriz americana resume a avaliação em três partes: história médica, sexual e psicossocial, exame físico e exames de laboratório selecionados. Selecionados, e não todos. Remédios em uso, cirurgias anteriores, cigarro, álcool e histórico de doença vascular na família também entram na conversa.
- Conversa História clínica, sexual e emocional, remédios em uso e hábitos.
- Exame físico Pressão, cintura ou peso, genitais e sinais hormonais.
- Exames de sangue Glicemia, colesterol e testosterona, se não houver resultados recentes.
- Testes específicos Só em situações selecionadas, como o ultrassom com Doppler.
- Plano Resultados discutidos com você e cuidado definido a partir deles.
O que o exame físico procura?
A diretriz europeia pede um exame físico voltado para os sistemas genital e urinário, hormonal, vascular e neurológico. Ele pode revelar uma curvatura por doença de Peyronie, alterações na próstata ou sinais de testosterona baixa. A pressão e a frequência cardíaca devem ser medidas se não foram checadas nos últimos três a seis meses, e o peso ou a circunferência da cintura ajudam a identificar síndrome metabólica.
Numa teleconsulta, parte desse exame não pode ser feita. A resolução do CFM sobre telemedicina pede que o médico informe essa limitação e permite que ele chame o paciente para um atendimento presencial quando julgar necessário.
Quais exames de sangue o médico pode pedir?
Nem todo homem precisa de todos. A lista abaixo é a que as diretrizes mais citam, e o médico escolhe a partir do seu caso.
Glicemia ou hemoglobina glicada
O diabetes danifica vasos e nervos que participam da ereção, e a diretriz americana considera a disfunção erétil um marcador de risco para diabetes ainda não diagnosticado. A diretriz europeia recomenda a glicemia de jejum ou a hemoglobina glicada quando não foram feitas nos últimos 12 meses. Quem já tem o diagnóstico pode ler sobre disfunção erétil e diabetes.
Perfil lipídico
Colesterol e triglicerídeos entram pela mesma condição dos 12 meses. O motivo é o coração: uma revisão sistemática mostrou que a disfunção erétil costuma anteceder a doença cardiovascular, porque as artérias do pênis, mais finas, sentem antes o dano nos vasos.
Testosterona total pela manhã
A diretriz europeia inclui a testosterona total colhida cedo e em jejum na avaliação hormonal, e a americana recomenda medi-la em homens com disfunção erétil. A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes também sugere avaliar a testosterona em quem tem disfunção erétil.
O horário importa. A diretriz europeia sobre hipogonadismo recomenda colher entre 7h e 10h, em jejum, porque a testosterona é mais alta pela manhã e cai depois de ingerir glicose. A americana lembra que doença aguda pode baixar o valor, e que a coleta deve ser evitada nessa fase. Um resultado baixo precisa ser confirmado em outra dosagem antes de qualquer decisão. Às vezes o médico pede também a testosterona livre calculada.
Valor baixo num exame isolado não fecha diagnóstico, e reposição hormonal só é considerada quando há deficiência comprovada.
Quando entram outros exames?
Em casos selecionados, com sinais ou sintomas específicos, a diretriz europeia cita o PSA, a prolactina e o LH, um hormônio que ajuda a entender a origem de uma testosterona baixa. A americana acrescenta função dos rins e da tireoide como opções para alguns homens. Se o PSA vier alterado, o próximo passo é uma conversa específica sobre a próstata.
E o coração, como é avaliado?
A diretriz americana recomenda que todo homem com disfunção erétil seja informado de que ela é um marcador de risco cardiovascular. A europeia adota o consenso de Princeton: quando a causa parece principalmente vascular, o médico estima o risco de um evento cardiovascular em dez anos com uma calculadora que considera idade, colesterol, pressão, diabetes e cigarro. Nos homens de risco limítrofe ou intermediário, o consenso cita a tomografia para medir o cálcio nas coronárias, adaptada à realidade de cada serviço. Homens com risco alto, segundo a revisão da European Urology, devem passar por avaliação cardiológica detalhada.
Ultrassom com Doppler e outros testes específicos
A maioria dos homens não precisa deles. A diretriz europeia reserva os testes específicos para situações como disfunção erétil desde sempre, homens jovens com trauma na pelve, curvaturas que podem precisar de cirurgia e quadros psiquiátricos ou hormonais complexos. A americana acrescenta um critério prático: o exame só deve ser feito se o resultado for mudar a conduta.
Os principais são o ultrassom com Doppler do pênis, geralmente combinado a uma injeção que provoca ereção e indicado quando se suspeita de causa vascular, e o registro das ereções durante o sono, que ajuda a separar causas predominantemente físicas de emocionais, com limitações.
Ereção fraca sempre precisa de exame?
Nem toda ereção mais fraca é disfunção erétil. A Sociedade Brasileira de Urologia orienta procurar um urologista quando a dificuldade acontece com frequência, e a diretriz europeia observa que a maioria dos casos pode ser conduzida a partir da história e do exame físico.
Pedir exames por conta própria também tem armadilhas. A testosterona colhida no fim da tarde, por exemplo, pode vir bem mais baixa do que a da manhã, segundo a diretriz americana, e levar a uma conclusão errada. Se a ansiedade tem peso na sua história, a investigação muda de foco; veja ansiedade e disfunção erétil.
Como chegar à consulta preparado
Separe os resultados do último ano, a lista de remédios que você usa e anote quando a dificuldade começou e se há ereções ao acordar. As dicas práticas estão em como organizar seus exames antes da consulta. Para entender a condição como um todo, veja a página de disfunção erétil.
Na Uromen
Você pode começar pela avaliação online e depois agendar uma consulta por vídeo. O profissional que conduz a consulta revisa os exames que você já tem, pede os que fizerem sentido para o seu caso e indica atendimento presencial quando for preciso. A indicação de tratamento é sempre dele. Outras respostas estão em dúvidas frequentes.
Este texto é informativo e não substitui avaliação médica individual.
Perguntas frequentes
Quais exames fazer para disfunção erétil?
Quem decide é o médico, a partir da conversa e do exame físico. As diretrizes costumam incluir glicemia ou hemoglobina glicada, perfil lipídico e testosterona total pela manhã, quando não há resultados recentes.
Precisa estar em jejum para o exame de testosterona?
A diretriz europeia recomenda colher pela manhã, entre 7h e 10h, e em jejum, porque a glicose pode baixar o valor medido. Se o resultado vier baixo, ele costuma ser confirmado em outro dia.
Ultrassom do pênis é obrigatório?
Não. O ultrassom com Doppler é um exame de segundo nível, usado em situações específicas, como suspeita de causa vascular ou quando o tratamento inicial não trouxe resposta.
Ereção fraca pode ser sinal de diabetes?
Pode. A diretriz americana considera a disfunção erétil um marcador de risco para condições como diabetes não diagnosticado e doença cardiovascular. Por isso a glicemia costuma entrar na investigação.
Dá para começar a investigação numa consulta online?
Dá. A teleconsulta é regulamentada pelo CFM, que pede ao médico que informe as limitações do exame físico a distância. Quando ele julgar necessário, indica o atendimento presencial.
Fontes
- Salonia A, Minhas S, Boeri L et al. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health. Capítulo 5: Management of erectile dysfunction. EAU Guidelines Office, 2026
- Salonia A, Minhas S, Boeri L et al. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health. Capítulo 3: Male hypogonadism. EAU Guidelines Office, 2026
- Burnett AL et al. Erectile Dysfunction: AUA Guideline. J Urol, 2018 (PubMed 29746858)
- Gandaglia G et al. A systematic review of the association between erectile dysfunction and cardiovascular disease. Eur Urol, 2014 (PubMed 24011423)
- Hohl A, Spivakoski CS, Rigon FA et al. Hipogonadismo masculino na síndrome metabólica e DM2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2023 (revisão em 2024)
- Disfunção erétil: conheça causas, sintomas, prevenção e tratamentos (Sociedade Brasileira de Urologia)
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.314/2022. Define e regulamenta a telemedicina. DOU, 2022



