Ninguém gosta de falar disso, nem consigo mesmo. A primeira vez passa como cansaço. A segunda vira preocupação. Na terceira, muitos homens já estão evitando o momento, e a intimidade começa a mudar. Não precisa ser assim, e o caminho é mais amplo do que um comprimido.
O tratamento da disfunção erétil começa pela causa. Depois de uma avaliação médica, as opções incluem mudanças de hábitos, controle de doenças associadas, medicamentos orais, terapias aplicadas no local, dispositivos a vácuo, fisioterapia do assoalho pélvico, apoio psicológico e, em casos selecionados, cirurgia. A escolha é feita em conversa com o médico.
Antes do tratamento, a causa
A ereção depende de vasos, nervos, hormônios e emoções funcionando juntos. Quando algo falha, o motivo pode estar em qualquer um desses pontos: pressão alta, diabetes, colesterol, tabagismo, efeito de medicamentos, alterações hormonais, cirurgias na pelve, estresse ou ansiedade. Muitas vezes, mais de um fator ao mesmo tempo.

- Coração. Bombeia o sangue que chega a todos os órgãos. O que afeta o coração costuma afetar a circulação inteira.
- Artérias. Levam esse sangue pelo corpo. Pressão alta, colesterol, diabetes e cigarro podem estreitá-las com o tempo.
- Pelve. A ereção depende de sangue chegar ao pênis e ficar ali. Por isso, a dificuldade pode aparecer antes de outros sinais de problema na circulação.
Por isso a Sociedade Brasileira de Urologia lembra que a disfunção erétil pode ser sinal de doenças crônicas em atividade. Uma meta-análise de estudos de coorte associou a disfunção erétil a maior risco de eventos cardiovasculares. Tratar só o sintoma, sem olhar o resto, pode deixar passar algo importante.
A avaliação costuma incluir sua história, os medicamentos em uso, a rotina e, quando o médico julgar necessário, exames. Veja como organizar seus exames antes da consulta.
Hábitos e saúde geral
É o ponto de partida de quase todo plano, porque cuida da ereção e do corpo inteiro ao mesmo tempo.
- Atividade física regular, adaptada à sua condição.
- Peso e cintura. Em um ensaio clínico com homens com obesidade, perder peso e se exercitar mais melhorou a função erétil em parte dos participantes.
- Tabaco e álcool. Ambos prejudicam a circulação e o desempenho.
- Sono e estresse, que mexem com hormônios e com a cabeça.
- Controle de pressão, glicemia e colesterol, quando alterados.
Não é conselho genérico: para muitos homens, essas mudanças fazem parte do tratamento, e não de uma lista de boas intenções.
Medicamentos orais
A classe mais conhecida é a dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5. Sildenafila e tadalafila são os princípios ativos mais conhecidos dessa classe. Eles facilitam a chegada de sangue ao pênis em resposta ao estímulo sexual. Não criam desejo e não agem sozinhos, sem estímulo.
O que você precisa saber antes de qualquer coisa:
- Exigem prescrição médica. A escolha do princípio ativo, da forma de uso e do acompanhamento é do médico.
- Têm contraindicações importantes. A mais conhecida é o uso junto com nitratos, medicamentos usados para angina, pela queda perigosa da pressão.
- Podem interagir com outros remédios e não servem para todos os homens.
- Não compre sem receita nem em sites sem procedência. Produtos falsificados circulam no mercado e podem conter substâncias diferentes das anunciadas.
Este texto não indica medicamento, marca ou dose. Essa decisão depende de uma avaliação individual.
Terapias aplicadas no local
Quando os comprimidos não são indicados ou não trazem o resultado esperado, o médico pode discutir medicamentos aplicados diretamente no pênis, por injeção no corpo cavernoso ou pela uretra. Exigem treinamento, prescrição e acompanhamento, e a primeira aplicação costuma ser orientada pelo médico.
Dispositivo a vácuo
Um cilindro cria pressão negativa e atrai sangue para o pênis, e um anel na base ajuda a manter a ereção. É uma opção mecânica, sem medicamento, que funciona para alguns homens e casais. O uso correto precisa ser orientado, inclusive o tempo máximo com o anel.
Fisioterapia do assoalho pélvico
Os músculos do períneo participam da ereção. Um ensaio clínico mostrou melhora da função erétil em homens que fizeram exercícios do assoalho pélvico com orientação profissional. É um caminho sem medicamento, que pode ser combinado com outros, e costuma ser conduzido por fisioterapeuta com formação na área.
Apoio psicológico e terapia sexual
A cabeça participa de tudo. Ansiedade de desempenho, estresse, conflitos no relacionamento e experiências anteriores podem manter o problema mesmo quando o corpo está bem, e também podem somar a uma causa física.
A terapia sexual e o acompanhamento psicológico ajudam a quebrar o ciclo de medo e evitação. Quando possível, incluir a parceria na conversa faz diferença. Se falar do assunto é o que trava, comece por quando o assunto é íntimo, por onde começar a conversa.
Cirurgia, em casos selecionados
Quando as outras opções não funcionam ou não são indicadas, existe a prótese peniana, implantada por urologista. É uma decisão tomada com calma, depois de conversar sobre expectativas, riscos e alternativas. Em situações específicas, como alguns problemas vasculares em homens jovens, outras cirurgias podem ser avaliadas.
O que evitar
- Comprar medicamento sem receita ou por indicação de conhecidos.
- Suplementos e produtos que prometem resultado rápido.
- Trocar de estratégia sozinho, sem conversar com quem acompanha você.
- Esperar anos para buscar ajuda por vergonha. Falamos disso em por que tantos homens adiam cuidar da saúde.
Quando procurar ajuda
Se a dificuldade se repete, incomoda você ou a parceria, ou apareceu junto com outros sinais, como cansaço, mudança no desejo ou alterações na pressão, vale uma consulta. O início pode ser por vídeo: entenda o que cabe nesse formato em urologista online: o que cabe numa consulta por vídeo.
Emergência. Ereção que dura mais de quatro horas, principalmente com dor, precisa de atendimento presencial imediato. Ligue 192.
Na Uromen
- Avaliação online Você conta sua história no seu ritmo.
- Consulta por vídeo O profissional investiga a causa e ouve suas dúvidas.
- Plano As opções são discutidas com você.
- Acompanhamento Retornos para ajustar o que for preciso.
Você pode começar pela avaliação online, que organiza sua história no seu ritmo, ou agendar uma consulta. A indicação de qualquer tratamento é decisão do profissional que conduz o atendimento, depois de conhecer o seu caso. Outras respostas estão em dúvidas frequentes.
Este texto é informativo e não substitui avaliação médica individual.
Perguntas frequentes
Disfunção erétil tem tratamento?
Existem várias opções, e a escolha depende da causa e da saúde de cada homem. Por isso o primeiro passo é uma avaliação médica, que investiga o que está por trás da dificuldade antes de indicar qualquer caminho.
Posso tomar um remédio para ereção por conta própria?
Não. Os medicamentos usados para disfunção erétil exigem prescrição, têm contraindicações e podem interagir com outros remédios, como os nitratos usados para o coração. Só o médico pode avaliar se são adequados para você.
Quando a causa é emocional, remédio resolve?
A ansiedade e o estresse podem pesar muito. Nesses casos, o apoio psicológico ou a terapia sexual costumam fazer parte do cuidado, às vezes junto com outras medidas definidas pelo médico.
Mudar hábitos faz diferença?
Pode fazer. Um estudo com homens com obesidade mostrou melhora da função erétil em parte dos participantes que perderam peso e aumentaram a atividade física. Hábitos também cuidam do coração e da circulação.
Quando é urgência?
Ereção que dura mais de quatro horas, sobretudo com dor, é uma emergência. Procure atendimento presencial imediatamente ou ligue 192.
Fontes
- Disfunção erétil: conheça causas, sintomas, prevenção e tratamentos (Sociedade Brasileira de Urologia)
- Burnett AL et al. Erectile Dysfunction: AUA Guideline. J Urol, 2018 (PubMed 29746858)
- Esposito K et al. Effect of lifestyle changes on erectile dysfunction in obese men: a randomized controlled trial. JAMA, 2004 (PubMed 15213209)
- Dorey G et al. Pelvic floor exercises for erectile dysfunction. BJU Int, 2005 (PubMed 16104916)
- Dong JY et al. Erectile dysfunction and risk of cardiovascular disease: meta-analysis of prospective cohort studies. J Am Coll Cardiol, 2011 (PubMed 21920268)



