Aos 48 anos, você sobe a escada do metrô mais devagar, dorme pior e anda sem paciência. Num almoço de família, alguém solta: "é a andropausa". A palavra fica na cabeça e vem junto a pergunta se existe mesmo uma menopausa masculina.

Andropausa é o nome popular para a queda da testosterona com a idade. O termo é impreciso: diferente do que a palavra sugere, no homem não há uma parada da produção hormonal, e sim uma queda gradual, que nem todos sentem. As diretrizes falam em hipogonadismo de início tardio, que exige sintomas e exames alterados.

Por que andropausa não é a menopausa masculina?

O nome foi criado por analogia com a menopausa, e a analogia não se sustenta. Em um texto do Portal da Urologia, da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o urologista Fernando Meyer explica que o termo não deve ser usado porque, "diferentemente da mulher, não ocorre uma pausa hormonal, e sim o seu déficit gradativo".

A literatura médica diz algo parecido há décadas. Em 2000, uma revisão publicada no Journal of Urology afirmou que o quadro foi batizado de forma equivocada de menopausa masculina ou andropausa. Em 2004, o mesmo autor escreveu que o termo é, na maioria dos casos, inadequado, e só faria sentido quando os testículos param de funcionar. Ele acrescentou um detalhe que muda a conversa: a produção de testosterona diminui com a idade, mas essa diminuição não acontece em todos os homens.

Na prática, isso significa duas coisas. A queda existe e pode, sim, causar sintomas em parte dos homens. E fazer 50 anos não coloca ninguém automaticamente numa "fase" hormonal que precise de tratamento.

O que é DAEM?

DAEM é a sigla de Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino. É o termo que o texto da SBU apresenta como o correto para o que se costuma chamar de andropausa. Andrógenos são os hormônios masculinos, e a testosterona é o principal deles. Ela é produzida nos testículos, sob o comando de hormônios liberados pela hipófise, uma glândula na base do cérebro. Por isso a investigação olha para as duas pontas desse circuito.

Na literatura internacional aparecem outros nomes para a mesma ideia, como declínio androgênico do homem que envelhece. Hoje, as diretrizes preferem uma expressão mais técnica, que explicamos a seguir.

O que a diretriz chama de hipogonadismo de início tardio?

Hipogonadismo é o nome médico para a produção insuficiente de testosterona. Para a deficiência que aparece em homens de meia-idade e mais velhos, a diretriz da Associação Europeia de Urologia (EAU) usa o termo hipogonadismo de início tardio.

A definição tem duas partes, e as duas são obrigatórias. Segundo a EAU, o quadro precisa reunir sintomas específicos e persistentes e a comprovação em exame de que a testosterona está baixa. Um sem o outro não fecha o diagnóstico.

O estudo europeu EMAS, com 3.369 homens de 40 a 79 anos, ajudou a desenhar esse critério. Os pesquisadores concluíram que o hipogonadismo de início tardio pode ser definido pela presença de pelo menos três sintomas sexuais junto de testosterona baixa.

A diretriz também chama atenção para o hipogonadismo funcional, aquele em que as glândulas estão íntegras e a queda vem principalmente de outras doenças. Excesso de peso e doenças crônicas respondem pela maior parte dos casos. Em outras palavras, muito do que se atribui à idade tem relação com a saúde geral.

A partir de que idade a testosterona cai?

Não há uma data. A queda é lenta e as estimativas variam conforme o estudo:

  • a diretriz europeia cita uma redução de cerca de 0,4% ao ano na testosterona total, observada no EMAS;
  • a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) estima a queda fisiológica em cerca de 1,6% ao ano;
  • o texto da SBU fala em algo em torno de 1% ao ano a partir dos 40.

O ponto em comum importa mais do que o número. A SBEM afirma que essa queda ligada ao envelhecimento "não constitui, por si só, indicação de tratamento". E o posicionamento brasileiro das sociedades de endocrinologia e urologia recomenda contra o rastreamento de testosterona de rotina em homens da população geral.

Quais são os sintomas da andropausa?

Os sintomas que a medicina associa à testosterona baixa se dividem em sexuais, físicos e emocionais. O EMAS mostrou que, entre eles, só os três sexuais formam um conjunto claramente ligado à queda do hormônio:

  • menos desejo sexual;
  • menos ereções ao acordar;
  • dificuldade de ter ou manter a ereção.

Menos fôlego para esforço intenso, humor mais baixo, menos motivação e cansaço também aparecem na lista da diretriz europeia. Só que a própria diretriz avisa que esses sintomas não são exclusivos do hipogonadismo. Por isso, cansaço e desânimo pedem um olhar mais amplo, que inclua o sono, a rotina, outras doenças e os remédios em uso.

Para entender melhor como cada sintoma é investigado, leia testosterona baixa: sintomas e exames que confirmam. A página sobre deficiência de testosterona e reposição hormonal traz causas e exames em detalhe.

O que fazer se você se reconheceu nesses sintomas?

O caminho é investigar, sem pressa e sem atalho. Os testes de internet não servem de atalho: a diretriz europeia recomenda não usar questionários como triagem, porque têm baixa especificidade e apontam possível deficiência em muitos homens que não a têm. A mesma diretriz orienta investigar apenas quem tem sintomas. Se você tem, a sequência costuma ser esta:

  1. Conversa com o médico Sobre o que mudou, há quanto tempo, sono, peso, remédios e doenças.
  2. Exames pela manhã Testosterona total entre 7h e 10h, em jejum, em pelo menos dois dias diferentes.
  3. Busca da causa Se a testosterona vier baixa, outros exames ajudam a entender a origem.
  4. Plano com você Hábitos e doenças associadas vêm primeiro. Reposição, só com indicação.

Quando o excesso de peso está envolvido, o posicionamento brasileiro recomenda mudança de hábitos, com perda de peso e atividade física, como primeira linha. A reposição de testosterona tem regras próprias, explicadas em reposição hormonal masculina: o que é e para quem é indicada.

Se a consulta vive ficando para depois, você não está sozinho: falamos disso em por que tantos homens adiam cuidar da saúde.

Na Uromen

Você pode começar pela avaliação online, que organiza seus sintomas no seu ritmo, ou agendar uma consulta por vídeo. O profissional que conduz a consulta revisa seus exames, pede os que faltarem e conversa com você sobre os próximos passos. A indicação de qualquer tratamento é dele, depois de conhecer o seu caso. Outras respostas estão em dúvidas frequentes.

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica individual.

Perguntas frequentes

Andropausa existe?

Existe a queda gradual da testosterona com a idade, e alguns homens desenvolvem uma deficiência com sintomas. O nome andropausa é que é considerado impreciso, porque no homem não há uma parada da produção hormonal.

Quais são os sintomas da andropausa?

Os mais ligados à testosterona baixa são sexuais: menos desejo, menos ereções ao acordar e dificuldade de ereção. Cansaço, desânimo e menos disposição física também podem aparecer, mas têm muitas outras causas.

Com que idade começa a andropausa?

Não há uma idade marcada. A testosterona cai aos poucos, e as estimativas de queda variam entre estudos. Muitos homens envelhecem sem deficiência, e a idade sozinha não é indicação de tratamento.

O que significa DAEM?

DAEM é a sigla de Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino, termo que a Sociedade Brasileira de Urologia considera mais correto do que andropausa.

Andropausa tem tratamento?

Quando a deficiência é confirmada por sintomas e exames repetidos, o médico avalia as causas e as opções. Hábitos e doenças associadas vêm primeiro, e a reposição hormonal só entra com indicação e acompanhamento.

Fontes