Faz alguns meses que o desejo sumiu. Você chega em casa, janta, fica no celular até tarde e só no domingo percebe que nem pensou em sexo a semana inteira.
Falta de libido masculina é a redução persistente do desejo e dos pensamentos sexuais. Pode ter causa hormonal, como testosterona baixa, prolactina alta ou alteração da tireoide, e também vir de medicamentos, depressão, ansiedade, sono ruim, conflitos no relacionamento ou doenças crônicas. Quando persiste e incomoda, vale investigar com urologista ou endocrinologista.
O que conta como libido baixa?
O desejo oscila, e isso é esperado. Por isso a diretriz europeia de urologia (EAU) fala em deficiência persistente ou recorrente, ou ausência, de pensamentos ou fantasias sexuais e de vontade de ter atividade sexual. Uma semana difícil não entra nessa conta.
O desejo também é relativo ao casal. A EAU observa que psicólogos têm dado mais atenção à diferença de desejo entre os parceiros do que a apontar um dos dois como "o problema". Em um levantamento com homens alemães de meia-idade citado pela diretriz, a prevalência de desejo sexual baixo foi de 4,7%.
Quais são as causas da falta de libido masculina?
A EAU lista fatores hormonais, psicológicos, relacionais e médicos. Os mais comuns na prática estão abaixo:
Hormônios: testosterona, prolactina e tireoide
A EAU inclui a deficiência de androgênios, a prolactina alta e as alterações dos hormônios da tireoide entre as causas de desejo sexual baixo.
A testosterona é a mais lembrada, com razão. Em um grande estudo europeu com mais de 3 mil homens de 40 a 79 anos, três sintomas sexuais se associaram de forma consistente à testosterona baixa: desejo sexual reduzido, menos ereções pela manhã e disfunção erétil. Cansaço, humor deprimido e menos disposição física também se relacionaram ao nível do hormônio, mas só os três sintomas sexuais formaram um conjunto ligado à testosterona baixa. Veja os outros sinais em testosterona baixa: sintomas.
Um valor baixo sozinho não fecha o diagnóstico. O posicionamento das sociedades brasileiras de endocrinologia, urologia e medicina sexual exige sintomas e testosterona total medida pela manhã, em jejum, em duas ocasiões diferentes.
A prolactina entra quando há desejo reduzido e sinais de que o problema hormonal vem do cérebro, e não dos testículos. Um tumor benigno da hipófise que produz prolactina é uma das causas descritas.
Medicamentos e substâncias
Alguns remédios de uso contínuo afetam o desejo. O exemplo mais estudado são os antidepressivos. Uma meta-análise de estudos que perguntaram diretamente sobre sexualidade encontrou taxas de disfunção sexual, incluindo a do desejo, maiores que as do placebo com vários antidepressivos, com grande variação entre eles. Alguns não diferiram do placebo.
A EAU também lista opioides, corticoides e o uso de testosterona ou anabolizantes entre as causas de queda da produção própria de testosterona.
O que fazer com isso: nunca suspenda um remédio por conta própria, principalmente um antidepressivo. A diretriz recomenda que o médico ajuste, quando possível, os tratamentos crônicos que prejudicam o desejo. Às vezes existe alternativa. Leve a lista completa dos seus remédios para a consulta.
Humor, ansiedade e estresse
Depressão, ansiedade, raiva e estresse pós-traumático estão entre as causas psicológicas citadas pela EAU. O estresse financeiro e o divórcio recente também aparecem como fatores de risco.
A relação vai nos dois sentidos. A depressão reduz o desejo, e o tratamento dela às vezes também, como a própria diretriz reconhece. Por isso vale falar dos dois assuntos na mesma consulta.
Se o desânimo estiver pesado demais. Falta de vontade de tudo, tristeza que não passa ou pensamentos de se machucar pedem ajuda agora. Ligue para o CVV no 188. Em emergência, ligue 192.
Sono
Em um estudo pequeno, dez homens jovens e saudáveis passaram uma semana dormindo cinco horas por noite. A testosterona durante o dia caiu de 10% a 15%, e a sensação de vigor diminuiu noite após noite. O estudo não mediu a libido diretamente, mas mostra que noites curtas mexem com um hormônio ligado ao desejo.
Se você dorme mal há meses, ronca muito ou acorda cansado, conte isso ao médico.
O relacionamento
Conflitos no relacionamento estão na lista de causas da EAU. A diretriz recomenda que os fatores da relação sejam abordados, e as abordagens atuais olham para a diferença de desejo entre os parceiros, em vez de tratar um só como portador do problema.
Na prática, pode ajudar perceber se a falta de vontade é geral ou aparece só com a parceria atual, e se começou depois de alguma mudança na vida a dois.
Idade e doenças crônicas
A idade aparece como fator de risco na diretriz, assim como doença vascular, doença coronariana e insuficiência cardíaca, AVC, insuficiência renal, HIV, epilepsia, prostatite ou dor pélvica crônica, sintomas urinários, disfunção erétil, ejaculação precoce e tabagismo. Quando a queda do desejo aparece junto de outra doença, cuidar dela faz parte do plano.
Quando investigar a falta de libido?
Vale procurar avaliação se:
- a falta de desejo persiste e incomoda você ou o relacionamento;
- veio junto de menos ereções pela manhã, dificuldade de ereção, cansaço ou humor para baixo;
- começou depois de um remédio novo ou de uma mudança de dose;
- você tem obesidade, diabetes ou outra doença crônica;
- existe desejo de ter filhos, o que muda a forma de investigar e tratar.
A avaliação começa pela história médica e sexual, às vezes com questionários, e inclui exame físico. A EAU recomenda exames de laboratório para descartar alterações hormonais, com força de recomendação forte. Em geral entram testosterona total, prolactina e hormônios da tireoide, a critério do médico. Para chegar preparado, veja como organizar seus exames.
Qual médico procurar para falta de libido?
Para investigar a parte hormonal, urologista ou endocrinologista. As sociedades brasileiras das duas especialidades publicaram, junto com a associação de medicina sexual, um posicionamento conjunto sobre o cuidado do hipogonadismo em 2026. Se ficar em dúvida sobre o nome que aparece em alguns consultórios, veja o que faz um andrologista.
Quando a causa principal é emocional, psicólogo ou psiquiatra participam do cuidado. A EAU aponta que intervenções psicológicas com estratégias cognitivas e comportamentais podem ajudar, e que técnicas de atenção plena são candidatas fortes. Se a questão é o casal, a terapia sexual ou de casal entra no plano.
E a testosterona?
A EAU recomenda testosterona quando o desejo baixo vem com sinais e sintomas de deficiência de testosterona. Em homens com níveis normais, a diretriz afirma que não há evidência de benefício da testosterona para a função sexual. No Brasil, a Resolução CFM nº 2.333/2023 permite a terapia hormonal só em deficiência comprovada e proíbe o uso com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de desempenho esportivo. Mais detalhes em reposição hormonal.
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Você pode começar pela avaliação online, no seu ritmo, ou agendar uma consulta por vídeo. O profissional que conduz a consulta ouve sua história, avalia os exames e decide com você os próximos passos, e a indicação de qualquer tratamento é dele. Outras respostas estão em dúvidas frequentes.
Este texto é informativo e não substitui avaliação médica individual.
Perguntas frequentes
O que causa falta de libido no homem?
As causas mais descritas incluem testosterona baixa, prolactina alta, alterações da tireoide, alguns medicamentos como antidepressivos, depressão, ansiedade, conflitos no relacionamento, idade e doenças crônicas. Muitas vezes há mais de um fator.
Falta de libido é sempre testosterona baixa?
Não. A testosterona baixa é uma das causas possíveis, e o desejo sexual reduzido está entre os sintomas mais ligados a ela. Mas humor, remédios, sono e relação também pesam, e o diagnóstico de deficiência hormonal exige sintomas e exames repetidos.
Qual médico procurar para falta de libido?
Para investigar a parte hormonal, urologista ou endocrinologista. Quando a causa principal é emocional ou está no relacionamento, psicólogo, psiquiatra ou terapeuta sexual podem participar do cuidado.
Que exames investigam a libido baixa?
A diretriz europeia recomenda exames para descartar alterações hormonais, como testosterona total, prolactina e hormônios da tireoide. A testosterona deve ser medida pela manhã, em jejum, e repetida em outra ocasião. Quem decide o que pedir é o médico.
Posso usar testosterona para aumentar a libido?
Só quando existe deficiência comprovada e com prescrição. A diretriz europeia afirma que não há evidência de benefício da testosterona para a função sexual em homens com níveis normais, e o CFM proíbe o uso hormonal com finalidade estética ou de desempenho.
Fontes
- Salonia A et al. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health, capítulo 7: Low sexual desire and male hypoactive sexual desire disorder. European Association of Urology, 2026
- Salonia A et al. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health, capítulo 3: Male hypogonadism. European Association of Urology, 2026
- Wu FC et al. Identification of late-onset hypogonadism in middle-aged and elderly men. N Engl J Med, 2010 (PubMed 20554979)
- Serretti A, Chiesa A. Treatment-emergent sexual dysfunction related to antidepressants: a meta-analysis. J Clin Psychopharmacol, 2009 (PubMed 19440080)
- Leproult R, Van Cauter E. Effect of 1 week of sleep restriction on testosterone levels in young healthy men. JAMA, 2011 (PubMed 21632481)
- Hohl A et al. Care of patients with male hypogonadism: a joint position statement from SBEM, SBU and ABEMSS. Int Braz J Urol, 2026 (PubMed 41678706)
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.333, de 30 de março de 2023. Diário Oficial da União, 2023



