Você termina antes do que queria, ela diz que está tudo bem, e você passa o resto da noite repassando a cena. No dia seguinte, no intervalo do almoço, digita no celular a pergunta que não fez a ninguém.

A resposta depende do tipo. Quando a ejaculação precoce é adquirida e tem uma causa identificável, como ansiedade, dificuldade de ereção ou alteração da tireoide, as diretrizes mandam tratar essa causa primeiro. Quando ela existe desde as primeiras relações, o objetivo passa a ser controle e satisfação, com técnicas, terapia e, se o médico indicar, medicamento.

Quanto tempo é considerado precoce?

A referência mais usada vem da Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM), que reuniu especialistas para chegar a uma definição baseada em evidências. Ela tem três partes, e as três precisam estar presentes:

  • Tempo. A ejaculação acontece sempre ou quase sempre antes ou em cerca de 1 minuto após a penetração vaginal, desde as primeiras relações. Na forma adquirida, conta uma redução importante e incômoda do tempo, muitas vezes para cerca de 3 minutos ou menos.
  • Controle. Você não consegue adiar a ejaculação em todas ou quase todas as penetrações.
  • Consequências. Há sofrimento, frustração, incômodo, ou você passa a evitar a intimidade.

Dois detalhes mudam a leitura desses números. A definição foi construída com base em relações com penetração vaginal. E a diretriz europeia de urologia (EAU) afirma que o tempo, sozinho, não basta para definir ejaculação precoce. Ninguém precisa de cronômetro: na prática clínica, o tempo que você estima já serve para a conversa com o médico.

Pela definição, um homem que ejacula em dois minutos, mas sente controle e está satisfeito com a vida sexual, não se encaixa no quadro. A página sobre ejaculação precoce e como ela é avaliada detalha essa conversa.

Quais são os tipos de ejaculação precoce?

A EAU descreve quatro subtipos. Saber em qual você se encaixa muda o plano.

  • Ao longo da vida. Existe desde as primeiras relações sexuais. As hipóteses estudadas envolvem fatores biológicos, como o sistema da serotonina e a genética.
  • Adquirida. Aparece depois de um período sem dificuldade. Pode estar ligada à ansiedade de desempenho, a problemas no relacionamento ou a condições como disfunção erétil, prostatite, hipertireoidismo e sono de má qualidade.
  • Variável. Episódios irregulares, que vão e vêm. A diretriz considera uma variação normal da função sexual.
  • Subjetiva. A sensação de ejacular rápido, com o tempo dentro da faixa normal ou até maior.

Os dois últimos não são tratados como doença pela diretriz.

Então, ejaculação precoce tem cura?

A palavra pede cuidado, e as próprias diretrizes são francas sobre isso.

Na forma adquirida, a EAU diz que tratar a causa de base deve ser o objetivo inicial. Entram aí disfunção erétil, prostatite, sintomas urinários, ansiedade e hipertireoidismo. Por isso a investigação começa por ela.

Na forma que existe desde as primeiras relações, a conversa é outra. O objetivo realista é ganhar controle e satisfação, com um plano que pode incluir técnicas, terapia e medicamento. A EAU registra que os resultados de longo prazo dos tratamentos com remédio são desconhecidos. Em estudos citados pela diretriz, o abandono da dapoxetina chegou a 90% dois anos depois do início, e um dos motivos relatados foi a decepção por ela não curar a ejaculação precoce.

É por isso que a EAU recomenda definir o subtipo e conversar a fundo sobre expectativas antes de qualquer tratamento. A diretriz da ISSM acrescenta que, conforme a confiança e a sensação de controle melhoram, em alguns casos pode ser possível reduzir ou suspender o medicamento. Essa decisão é sempre do médico que acompanha você.

O tratamento costuma juntar mais de uma destas frentes:

Tratar a causa, quando ela existe

A avaliação começa pela sua história: desde quando acontece, se é com qualquer parceria ou em certas situações, se a ereção também anda falhando. Exames de laboratório não são rotina. A EAU recomenda pedi-los só quando a conversa ou o exame físico apontam algo, como uma alteração da tireoide.

A ligação com a ereção merece atenção. Segundo a diretriz, muitos homens com disfunção erétil passam a ejacular mais rápido pela ansiedade de perder a ereção. Nesses casos, cuidar da ereção entra no plano, e as opções estão em tratamentos para disfunção erétil.

Técnicas comportamentais

A mais conhecida é a de parar e recomeçar: a estimulação vai até perto do ponto de ejacular, para até a sensação passar e recomeça, algumas vezes antes de permitir a ejaculação. A técnica da compressão segue a mesma lógica, com um aperto na glande, a cabeça do pênis, no lugar da pausa. O passo a passo está em como controlar a ejaculação com exercícios.

A EAU afirma que exercícios de parar e recomeçar, combinados com orientação e técnicas de atenção plena (mindfulness), melhoram os sintomas e também o sofrimento, a ansiedade e a depressão associados. Uma revisão sistemática de ensaios clínicos encontrou evidência limitada de que essas técnicas funcionam melhor do que ficar em lista de espera, e de que somá-las ao remédio dá resultados melhores do que o remédio sozinho.

O outro lado também precisa ser dito. A revisão Cochrane sobre abordagens psicológicas achou evidência fraca e inconsistente, com estudos pequenos, e não conseguiu reproduzir os índices de sucesso altíssimos relatados por Masters e Johnson. A EAU resume que as intervenções psicossexuais, sozinhas, não têm respaldo empírico suficiente. A técnica ajuda mais como parte de um plano.

Terapia sexual e a parceria

A ansiedade de desempenho pode levar à ejaculação precoce, que por sua vez aumenta a ansiedade inicial, descreve a ISSM. A terapia trabalha esse ciclo: ajuda a desenvolver habilidades para adiar a ejaculação, amplia o repertório sexual, aumenta a confiança e diminui a ansiedade. Aprofundamos o assunto em ansiedade e ejaculação precoce.

A parceria também sente. As parceiras de homens com ejaculação precoce relatam mais problemas no relacionamento, e a satisfação delas cai conforme o quadro fica mais intenso, segundo a ISSM e a EAU. A ISSM considera a participação da parceria importante, mas não obrigatória. Alguns dos programas estudados incluem exercícios de foco sensorial, com toque sem a meta da penetração, feitos a dois.

Medicamentos, só com prescrição

Existem opções orais e de uso local. A dapoxetina foi o primeiro medicamento oral de uso sob demanda aprovado para ejaculação precoce em muitos países. Um spray que associa os anestésicos lidocaína e prilocaína foi o primeiro tratamento tópico aprovado pela agência europeia de medicamentos para a forma presente desde as primeiras relações. Outros remédios, como alguns antidepressivos da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina, são usados fora da bula, e a EAU os coloca como alternativa de segunda linha.

Antes de pensar em qualquer um deles:

  • Todos exigem prescrição e avaliação médica. Propaganda e venda de medicamentos de prescrição seguem regras da Anvisa (RDC 96/2008).
  • Podem ter efeitos colaterais, e a escolha depende da sua saúde e dos remédios que você já usa.
  • A EAU recomenda que técnicas comportamentais, cognitivas ou de casal sejam usadas junto com o medicamento.
  • Este texto não indica remédio nem dose.

Quando procurar um médico

Vale marcar uma consulta se a ejaculação acontece antes do que você deseja na maioria das relações e isso incomoda você ou a parceria. Também se o padrão mudou em relação ao que era antes, se veio junto de dificuldade de ereção ou sintomas urinários, ou se você já começou a evitar encontros.

Em uma pesquisa com mais de 12 mil homens em três países, só 9% dos que relataram ejaculação precoce tinham conversado com um médico sobre isso. Se a vergonha é o que segura, veja por onde começar quando o assunto é íntimo.

Na Uromen

Você pode começar pela avaliação online, no seu ritmo, ou agendar uma consulta por vídeo. O profissional que conduz a consulta ouve sua história e discute as opções com você, e a indicação de qualquer tratamento é dele. Outras respostas estão em dúvidas frequentes.

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica individual.

Perguntas frequentes

Ejaculação precoce tem cura?

Depende do tipo. Na forma adquirida, as diretrizes recomendam tratar primeiro a causa, como ansiedade, disfunção erétil ou hipertireoidismo. Na forma presente desde as primeiras relações, o objetivo costuma ser ganhar controle e satisfação, com um plano individual.

Quanto tempo é considerado ejaculação precoce?

Pela definição da Sociedade Internacional de Medicina Sexual, cerca de 1 minuto após a penetração vaginal quando o quadro existe desde as primeiras relações, ou uma redução importante do tempo, muitas vezes para cerca de 3 minutos ou menos, quando surge depois. Também contam a falta de controle e o incômodo.

Ejaculação precoce tem tratamento sem remédio?

Existem técnicas comportamentais e terapia sexual. A diretriz europeia relata melhora dos sintomas com exercícios de parar e recomeçar associados a orientação e atenção plena, mas considera que as abordagens psicológicas sozinhas têm pouca evidência. Por isso costumam entrar em um plano combinado.

Vou precisar tomar remédio para sempre?

Não existe uma regra única. A diretriz europeia afirma que os resultados de longo prazo dos medicamentos ainda são desconhecidos. Se algum remédio for indicado, o tempo de uso e a eventual suspensão são decididos com o médico que acompanha você.

Qual médico procurar para ejaculação precoce?

O urologista costuma fazer a avaliação inicial. Conforme o caso, psicólogo ou terapeuta sexual podem participar do cuidado, como prevê a diretriz da Sociedade Internacional de Medicina Sexual.

Fontes