A dúvida costuma surgir numa conversa entre amigos ou depois de uma busca rápida: um fala de um nome, outro fala de outro, e você fica sem saber se são a mesma coisa com rótulos diferentes. Faz sentido querer entender antes de conversar com o médico.
Sildenafila e tadalafila pertencem à mesma classe, a dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), e agem pelo mesmo mecanismo: favorecem a ereção diante do estímulo sexual. A diferença geral está no tempo, porque a tadalafila tem ação mais longa. A indicação, as contraindicações e a forma de uso são definidas pelo médico, com receita.
O que é um inibidor da PDE5?
Para a ereção acontecer, o estímulo sexual faz os nervos do pênis liberarem óxido nítrico. Essa substância aciona uma molécula chamada GMP cíclico, que relaxa a musculatura dos vasos e deixa o sangue entrar nos corpos cavernosos. A enzima fosfodiesterase tipo 5, a PDE5, é a responsável por desmontar o GMP cíclico e encerrar o processo.
Os inibidores da PDE5 bloqueiam essa enzima. Com isso, segundo uma revisão publicada no BJU International, eles favorecem a resposta erétil ao estímulo sexual. Não agem sozinhos: sem estímulo, o circuito nem começa.
A diretriz da Associação Europeia de Urologia (EAU) recomenda os inibidores da PDE5 como primeira linha no tratamento da disfunção erétil. Além de sildenafila e tadalafila, a classe inclui outros princípios ativos, como vardenafila e avanafila.
Como é a ação da sildenafila?
A diretriz europeia descreve para a sildenafila uma janela de efeito que vai até cerca de 12 horas depois da tomada, com meia-vida curta, de poucas horas.
Há um detalhe prático descrito na diretriz: refeições ricas em gordura podem atrasar a absorção da sildenafila. O mesmo vale para vardenafila e avanafila. Isso não muda a indicação, mas é uma das orientações que o médico costuma passar junto com a receita.
Como é a ação da tadalafila?
A tadalafila tem meia-vida bem mais longa. A diretriz europeia descreve uma janela de efeito que pode chegar a cerca de 36 horas.
Na lista da diretriz sobre refeições gordurosas, a tadalafila não aparece entre os medicamentos que têm a absorção atrasada. Também é o princípio ativo da classe em que a diretriz descreve, além do uso sob demanda, um esquema de uso diário, sempre por decisão médica.
Existe diferença de eficácia entre os dois?
Segundo a diretriz europeia, não há diferença demonstrada de eficácia entre os inibidores da PDE5. Ela diz que a escolha depende da frequência da atividade sexual e da experiência de cada paciente. Na prática, o médico também considera a sua saúde, os remédios que você usa e o que você conta sobre a sua rotina. Nenhum texto substitui essa conversa.
O que sildenafila e tadalafila têm em comum?
Mais do que parece. Os dois:
- agem pelo mesmo mecanismo, bloqueando a PDE5, e dependem de estímulo sexual;
- são proibidos com nitratos. A diretriz europeia classifica o uso junto com qualquer nitrato orgânico ou doador de óxido nítrico como contraindicação absoluta, incluindo o nitrito de amila usado de forma recreativa, conhecido como poppers;
- têm efeitos colaterais parecidos, em geral leves e passageiros, segundo a diretriz: dor de cabeça, vermelhidão no rosto, má digestão e congestão nasal. Com a tadalafila, a diretriz cita também dor nas costas e dor muscular;
- exigem receita. A Anvisa lembra que esses princípios ativos são aprovados como medicamentos de venda sob prescrição médica.
Por que às vezes parece não funcionar?
É uma queixa comum, e nem sempre o problema está no remédio. Uma revisão publicada em 2018 associa as falhas do tratamento com inibidores da PDE5 a estímulo sexual ausente ou insuficiente, a conflitos emocionais ligados ao sexo e a outras doenças que coexistem com a disfunção erétil. Por isso a diretriz americana recomenda que, junto com a prescrição, o médico dê orientações para que o tratamento renda o máximo possível.
A diretriz europeia acrescenta outro ponto: mudanças de hábitos e controle de fatores de risco devem começar antes ou junto com qualquer tratamento para disfunção erétil. Quando a ansiedade pesa, o apoio psicológico entra no plano. Trocar de medicamento por conta própria, ou somar os dois, não é o caminho. Leve a dúvida ao retorno.
Por que é preciso avaliação antes da receita?
Porque a disfunção erétil tem causa, e a causa às vezes está no coração, nos vasos ou nos hormônios. A diretriz da Associação Americana de Urologia (AUA) orienta avaliar o risco cardiovascular antes do tratamento e, quando indicado, encaminhar para avaliação cardiológica. A Sociedade Brasileira de Urologia orienta procurar um urologista quando a dificuldade de ereção é frequente. Na consulta, leve a lista completa dos remédios que você usa, inclusive os eventuais, e diga se já usou nitratos ou poppers.
Em 2025, a Anvisa publicou um alerta sobre o uso indiscriminado desses medicamentos. O uso recreativo ou estético, diz a agência, pode causar efeitos graves, como infarto, AVC, queda de pressão, perda de visão ou audição, além de dependência psicológica. A Anvisa também alerta para gomas e suplementos com essas substâncias, que não podem ser vendidos nessa forma, e pede que não se usem produtos sem regularização.
Este texto não indica medicamento, marca ou dose. Veja o panorama das opções em tratamentos para disfunção erétil e os exames que costumam entrar na avaliação em exames para disfunção erétil. Sobre a condição em si, a página de disfunção erétil reúne causas e cuidados. E se a dúvida é sobre a receita emitida numa teleconsulta, leia receita digital é válida?.
Emergência. Se você passar mal, ligue 192 e conte à equipe todos os medicamentos que usou, inclusive os de uso sexual.
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Você pode começar pela avaliação online, que organiza sua história e seus remédios em uso, ou agendar uma consulta por vídeo. O profissional que conduz a consulta investiga a causa e decide com você se algum tratamento faz sentido. A indicação de qualquer medicamento é dele, depois de conhecer o seu caso. Outras respostas estão em dúvidas frequentes.
Este texto é informativo e não substitui avaliação médica individual.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre sildenafila e tadalafila?
Os dois são inibidores da PDE5 e agem do mesmo jeito. A principal diferença descrita nas diretrizes é o tempo: a tadalafila tem meia-vida mais longa e uma janela de efeito maior. Refeições muito gordurosas podem atrasar a absorção da sildenafila.
Sildenafila e tadalafila funcionam sem estímulo sexual?
Não. Os inibidores da PDE5 favorecem a resposta erétil ao estímulo sexual. Sem estímulo, não há ereção por efeito do medicamento.
Posso usar sildenafila ou tadalafila se tomo nitrato para o coração?
Não. A diretriz europeia classifica o uso de qualquer nitrato orgânico, incluindo o nitrito de amila conhecido como poppers, como contraindicação absoluta aos inibidores da PDE5.
Preciso de receita para sildenafila ou tadalafila?
Sim. A Anvisa lembra que esses medicamentos são aprovados para venda sob prescrição médica. O uso sem avaliação pode causar efeitos graves, como infarto, AVC e queda de pressão.
Um é mais eficaz que o outro?
A diretriz europeia afirma que não há diferença demonstrada de eficácia entre os inibidores da PDE5. A escolha é feita pelo médico, considerando a sua saúde, os remédios em uso e a sua rotina.
Fontes
- Salonia A, Minhas S, Boeri L et al. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health. Capítulo 5: Management of erectile dysfunction. EAU Guidelines Office, 2026
- Burnett AL et al. Erectile Dysfunction: AUA Guideline. J Urol, 2018 (PubMed 29746858)
- Dean RC, Lue TF. Physiology of penile erection and pathophysiology of erectile dysfunction. Urol Clin North Am, 2005 (PubMed 16291031)
- Carson CC, Lue TF. Phosphodiesterase type 5 inhibitors for erectile dysfunction. BJU Int, 2005 (PubMed 16042713)
- Koon CS et al. The Phosphodiasterase 5-Inhibitors (PDE-5i) for Erectile Dysfunction (ED): A Therapeutic Challenge For Psychiatrists. Curr Drug Targets, 2018 (PubMed 28215172)
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Anvisa emite alerta sobre uso indiscriminado de medicamentos para disfunção erétil. Anvisa, 2025
- Disfunção erétil: conheça causas, sintomas, prevenção e tratamentos (Sociedade Brasileira de Urologia)



